23/04/2013

ESSA HOMENAGEM À SÃO JORGE VEM DE UM ARTISTA ANÔNIMO

Expondo seu trabalho na Praça da Sé em Salvador - Bahia, este artista que vive no anonimato é visto por todos turistas brasilerios e estrangeiros que passam por Salvador, especificamente no Pelourinho.
Hoje, 23 de abril de 2013  ele não deixou de  homenagear São Jorge, com sua vestimenta e pintura por todo o corpo, que esta característica (pintura) já é seu trabalho artístico no dia a dia na Praça da Sé.
Suedmar



Segundo o site http://www.calendarr.com/brasil/dia-de-sao-jorge/ " O Dia de São Jorge é comemorado no dia 23 de abril e é feriado municipal no Rio de Janeiro.
São Jorge foi um padre e soldado romano no exército do imperador Diocleciano, e é venerado como mártir cristão. São Jorge é um dos santos mais venerados no catolicismo, e ficou imortalizado no conto em que mata o dragão.
O Dia de São Jorge é celebrado por várias nações para quem o santo é patrono, como Reino Unido, Portugal, Geórgia, Catalunha, Bulgária e outros."

FINALMENTE A VACINA CONTRA O HPV SERÁ DE GRAÇA

Finalmente a vacina contra o HPV chegará a população mais carente. Ela é tão esperada, já que a população de baixa renda não dispões do valor que é cobrado hoje pelos laboratórios particulares  que está em média de R$350,00 (trezentos e cinquenta reais) a R$380,00 (trezentos e oitenta reais).  
 
Sou da opinião que a vacinação contra o HVP també seja estendida aos meninos, com idade de até 21 anos ou até mais, caso seja aplicável e nos casos de homens na idade adulta que tem uma vida sexual bastante ativa.
 
O índice da contaminação pelo HPV tem sido alarmante. Segundo Vanessa Grazziotin, Senadora (PCdoB-AM) procuradora da mulher no senado federal, em sua matéria do último dia 16/04/2013 "Vacina contra o HPV é um direito da mulher, por Vanessa Grazziotin" (fonte e crédito da matéria: veiculada no site AGÊNCIA PATRICIA GALVÃO - link  http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4647&catid=44 ) 
 
Em sua matéria, relata a senadora que o HPV é responsável também por câncer de pênis, ânus e de vulva. Cita ainda a senadora que  "... Há muito tempo as parlamentares da bancada feminina no Congresso Nacional lutam para que essa prevenção à saude das mulheres e de homens seja realidade em todo o País. O primeiro projeto foi apresentado por mim em 2007 na Câmara dos Deputados, sob o número 164. Em seguida, a então senadora Ideli Salvatti apresentou outro projeto de igual teor, sob o número PLS 51/2007.
 
Ao reapresentar a matéria no Senado, propus a imunização de mulheres entre 9 a 40 anos de idade, mas depois de intenso debate o teor da proposição foi mudado pela relatora, senadora Marta Suplicy (PT-SP), para que abrangesse apenas meninas de 9 a 13 anos, no sentido claro de prevenir o contágio antes do início da atividade sexual. O projeto, que já foi aprovado no Senado, encontra-se em análise na Comissão de Seguridade Social da Câmara, onde espero que tenha rápida tramitação."

Devemos comemorar esse trabalho do Ministério da Saúde e lutarmos para a extensão da vacinação aos meninos e homens na idade adulta.

Fonte da informação que a vacina será de graça - http://odia.ig.com.br/portal/rio/informe-do-dia-vacina-contra-hpv-1.574889 -  Informe do Dia: Vacina contra HPV dia 23.04.2013 - POR Fernando Molica

Suedmar /  Blogueira

11/01/2013

A VARICELA É UMA DOENÇA BENÍGNA

A varicela é uma doença benigna, mas altamente contagiosa que ocorre principalmente em menores de 15 anos de idade.
A SVS/MS solicita a notificação de casos agregados de varicela (surtos) e a notificação e investigação de casos graves e óbitos, além
da identificação de contatos susceveis com risco de desenvolver casos graves da doença, entre eles, recém-nascidos prematuros (com 28 semanas de gestação ou menos), Rn’s de mães que apresentam varicela nos últimos 05 dias antes do parto e até 48 horas após o parto; pessoas imunocomprometidas e gestantes ( pelo risco da varicela congênita e complicações maternas). Embora o maior número absoluto de hospitalizações seja observado entre crianças, grupo em que se espera o maior número de casos da doença, proporcionalmente, os adultos apresentam maior risco de evoluir com complicações, hospitalização e óbito.
Fonte: Ministério da Saúde
 
O Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia = Diretoria de Vigilância Epidemiológia, no último dia 07/01/2013 lançou a  Nota Técnica nº 01/2013 - Varicela (Catapora) Orientações para preenchimenot da Ficha de Notificação nos Casos de Varicela.



05/11/2012

DIÁRIO DE BEN: BEN FOI AO PETSHOP PARA TOSA

Hoje acordei bem cedinho e fui para o Pet levar Ben. Chegamos cedo e fomos muito bem recebidos. Tenho notado que Ben anda muito triste. Preciso encontrar seu dono. Ele fica às vezes olhando em direção à rua e com um ar muito solitário, ainda que vem recebendo muito carinho. 
Ben me acompanha para onde vou e percorre a casa toda atrás de mim. Talvez querendo reconhecer o local em que está. Dorme no pé da minha cama e só levanta quando levanto.  
Neste momento me arrumo e levo Ben para fazer suas necessidades. 
Ele é muito educado apesar de estar estranhado quando pegamos em sua cabeça. Estou percebendo que não gosta. Ele avança. Acredito que alguém tenha maltratado-o nas ruas.
Estou torcendo para que seu dono apareça. Caso não apareça, vou adotá-lo. 
Provisoriamente estou dando lar temporário e na esperança de encontrar seu dono. 
É difícil ter que acreditar que o seu dono tenha abandonado-o. Ele é muito lindo! 

Ben tosado.
Não o reconheci. Ele sofreu uma grande transformação após a tosa. Ele ficou tão diferente que nem o reconheci. Estava precisando de uma geral. Agora ele está mais fofo. Cheiroso e super cuidado.
O que um abandono faz na vida desses animais indefesos. É surpreendente! Mais uma vez me emocionei. 
 O ar triste de Ben. É assim quase o tempo todo.

Minha torcida é para a família de Ben aparecer.

Anvisa retira agrotóxico utilizado como chumbinho do mercado brasileiro


Paula Laboissière

Fonte: Da Agência Brasil, em Brasília


O aldicarbe, agrotóxico utilizado de forma irregular como raticida doméstico (chumbinho), foi banido do mercado brasileiro, informou nesta segunda-feira (5) a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Estimativas do governo apontam que o produto é responsável por quase 60% dos 8 mil casos de intoxicação relacionados a chumbinho no Brasil todos os anos. O aldicarbe tem a mais elevada toxicidade entre todos os ingredientes ativos de agrotóxicos até então autorizados para uso no país.
O único produto à base de aldicarbe que tinha autorização de uso no Brasil era o Temik 150, da empresa Bayer. “Trata-se de um agrotóxico granulado, classificado como extremamente tóxico, que tinha aprovação para uso exclusivamente agrícola, como inseticida, acaricida e nematicida, para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar”, informou a Anvisa.
Por meio de nota, o órgão destacou que o cancelamento do registro dos produtos à base de aldicarbe segue recomendação feita durante reunião, em 2006, da Comissão de Reavaliação Toxicológica. Na época, foi estabelecida uma série de medidas para a continuidade do uso do aldicarbe no Brasil, como a restrição de venda aos estados da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo, exclusivamente para agricultores certificados e propriedades cadastradas para uso do produto; e a inclusão de agente amargante e de emético (substância que induz ao vômito) na formulação do produto.
Após o processo de reavaliação, a Bayer S/A apresentou, em 2011, um cronograma de descontinuidade de comercialização e de encerramento de importação, distribuição e utilização do produto. A empresa se comprometeu ainda a efetuar o recolhimento de qualquer sobra do produto em posse de agricultores.
Em junho de 2012, a Anvisa cancelou o informe de avaliação toxicológica dos agrotóxicos à base de aldicarbe e, em outubro de 2012, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou o cancelamento do registro do Temik 150. Com a decisão, estão proibidos no Brasil a produção, a comercialização e o uso de qualquer agrotóxico à base de aldicarbe.
A Anvisa destacou que o chumbinho é ineficaz no combate doméstico de roedores já que, como o primeiro animal que ingere o veneno morre de imediato, os demais ratos observam e não consomem o alimento envenenado. Já os raticidas legalizados agem como anticoagulantes, provocando envenenamento lento. Dessa forma, a morte do animal não fica associada ao alimento ingerido, o que faz com que todos os ratos da colônia ingiram o veneno.
A agência destacou ainda que o chumbinho é um produto clandestino e que no rótulo não há quaisquer orientações quanto ao manuseio e à segurança, informações médicas, telefones de emergência, descrição do ingrediente ativo e antídotos que devem ser utilizados em casos de envenenamento, o que dificulta a ação de profissionais de saúde no atendimento a pessoas intoxicadas.
Os sintomas típicos de intoxicação por chumbinho são registrados em menos de uma hora após a ingestão e incluem náuseas, vômito, sudorese, salivação excessiva, visão borrada, contração da pupila, dor abdominal, diarreia, tremores e taquicardia.
Em caso de intoxicação, a orientação da Anvisa é que a pessoa ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. O serviço é gratuito e está disponível para todo o país.

07/10/2012

"Os problemas na voz do professor"


Os problemas na voz do professor
REDAÇÃO | Edição 199 - Setembro de 2012

© DANIEL BUENO
Falta de ar ao falar, cansaço, rouquidão nos últimos seis meses e voz mais grossa que o normal. Nessa ordem, esses foram os quatro problemas vocais mais encontrados numa amostra de 102 professores de  11 escolas públicas de  Piracicaba, no interior paulista, que participaram de um estudo feito pela fonoaudióloga Raquel Pizolato. Esses distúrbios podem estar ligados ao excesso do emprego da fala devido às características da atividade profissional e a uma coordenação inadequada da respiração durante o ato de discursar. Para tentar minorar os problemas, Raquel aplicou um programa de saúde vocal de três meses em 36 professores da amostra. Além de palestras sobre como a fala é produzida, os professores passaram por sessões de exercício vocal e receberam dicas simples, mas que podem aliviar alguns sintomas.  “Falamos da  importância de beber  água durante a atividade profissional, de descansar a voz no intervalo de trabalho e do efeito  benéfico da ingestão da maçã sobre o aparelho fonador”, diz Raquel, que defendeu tese de doutorado sobre a pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os participantes também foram orientados a evitar hábitos maléficos para a voz, como gritar, pigarrear, usar sprays e pastilhas e beber com frequência líquidos gelados. No final do programa de reeducação, foi constatada redução na maioria dos sintomas.
Fonte e direitos reservado a Revista Pesquisa FAPESP 199 página 17

"PERGUNTE AOS PESQUISADORES"


Por que a cerveja às vezes congela quando é retirada do congelador? (Natalia Zapella, via e-mail)
REDAÇÃO | Edição 199 - Setembro de 2012


Muita gente já passou pela frustração de tirar uma cerveja do congelador e vê-la solidificar-se diante dos olhos. Para evitar que isso aconteça, muitos pegam a garrafa pela ponta ou a põem debaixo de água corrente e, depois disso, dão uma chacoalhada. Para saber o que fazer, basta entender a física por trás do incidente. A cerveja no congelador esfriará aos poucos e, se a geladeira não vibrar, pode atingir uma temperatura mais baixa que a de congelamento, 
o sobrerresfriamento. Estáticas no congelador, as moléculas não têm orientação para passar ao estado sólido. “É como se fosse um batalhão, que para saber como se perfilar precisa estar de frente para o chefe”, compara o físico Luís Carlos de Menezes. O que indica o alinhamento para as moléculas é o movimento brusco de retirada do congelador, agravado pelo susto de ter esquecido a cerveja tempo demais. “O gesto, ou o calor da mão, dá essa direção”, explica. Com isso o líquido expande, já que o estado sólido ocupa mais espaço do que o líquido, e muitas vezes a garrafa (ou lata) explode. Para beber uma cerveja bem gelada 
e líquida, o melhor é retirá-la do congelador evitando qualquer sacudidela ou toque de mão aberta e deixá-la numa superfície estável até que chegue 
à temperatura acima da de congelamento.
Luís Carlos de Menezes
Universidade de São Paulo (USP)
Fonte: Pesquisa FAPESP 199 PÁGINA 11

ESTILISTA QUE VIVE NO ANONIMATO, AOS 85 ANOS AINDA CONFECCIONA COM PERFEIÇÃO ROUPA DE BONECA



Olívia Bandeira de Queiróz, completou 85 anos em 28 de agosto de 2012.
É de uma alegria única, extrovertida, dinâmica e lúcida. Uma estilista de roupas de boneca que vive no anonimato. Sua boneca preferida é a Barbie. 
O acabamento interno de suas confecções é o que mais me impressiona. É muito caprichosa e detalhista.


Desejando encomendar roupa de boneca, escreva para suedmar@gmail.com. O frete será incluso no preço. As peças dificilmente serão iguais. A cada confecção nova um novo modelo. Ela está sempre criando, não repete. Ela usa o que tem de sobra de outras costuras. Costura com os retalhos de um vestido de cetim, de uma blusa de malha. Enfim... a criação é no momento em que costura. 

Esses modelitos são exclusivos de sua coleção e quem veste é a Barbie Norma, da sua filha de 57 anos, Maria Queiróz

















22/07/2012

4a. OLÍMPIADA NACIONAL EM HISTÓRIA DO BRASIL, UM PROJETO VOLTADO AOS PROFESSORES E ALUNOS DE TODO BRASIL


4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil

O Museu Exploratório de Ciências – Unicamp recebe a partir do dia 01/06/2012, as inscrições para a 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). Poderão participar estudantes regularmente matriculados no 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e demais séries do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, incluindo alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Para orientar a equipe, composta por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de história.
O formulário de inscrição e o boleto para pagamento estarão disponíveis no site do Museu Exploratório de Ciências de 01 de junho até 10 de agosto. A taxa de inscrição é de 21 reais para as equipes de escolas públicas e 45 reais para as equipes das escolas particulares. O valor da inscrição corresponde à inscrição de todos os membros da equipe (incluindo o professor-orientador).
Em 2012, O Museu Exploratório de Ciências custeará, para participarem da final, as passagens de avião das 27 equipes mais bem colocadas em cada estado da Federação (escolas públicas ou particulares) e mais 10 equipes de escolas públicas com a maior pontuação, sendo uma por região do país, e cinco escolas públicas com mais alta pontuação em todo o Brasil, independente de sua região. Após a final da Olimpíada, os professores responsáveis por essas equipes são convidados a permanecer na Unicamp para realizar capacitação de uma semana, com custos de hospedagem cobertos também pelo Museu.
A ONHB premiará escolas, alunos e professores, com medalhas de ouro (60), prata (100) e bronze (140) e certificados de participação para todos os inscritos e também para as escolas.
A 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências – Unicamp. O evento é patrocinado pelo CNPq e tem o apoio da Rede Globo de Televisão e da Revista de História da Biblioteca Nacional. A última edição, realizada em 2011, inscreveu mais de 65 mil participantes e reuniu cerca de duas mil pessoas na final presencial, realizada na Unicamp, nos dias 15 e 16 de outubro.
A ONHB é organizada pela equipe do Museu Exploratório de Ciências e as provas são concebidas e elaboradas por historiadores, professores e pós graduandos de História da Unicamp. Como proposta, os participantes têm a oportunidade de trabalhar com temas fundamentais da história nacional e de conhecer de perto as práticas e metodologias utilizadas pelos historiadores.

Calendário da 4ª ONHB
Inscrições e pagamento dos boletos: de 01/06/2012 a 10/08/2012.
Primeira fase: inicia no dia 20/08/2012 e finaliza no dia 25/08/2012.
Segunda fase: inicia no dia 27/08/2012 e finaliza no dia 01/09/2012.
Terceira fase: inicia no dia 03/09/2012 e finaliza no dia 08/09/2012.
Quarta fase: inicia no dia 10/09/2012 e finaliza no dia 15/09/2012.
Quinta fase: inicia no dia 17/09/2012 e finaliza no dia 22/09/2012.
Grande Final Presencial: Prova: 20/10/2012
Cerimônia de Premiação: 21/10/2012

Inscrições no site: www.mc.unicamp.br

Atenciosamente
Alessandra Pedro
Coordenadora Associada Olimpíada Nacional em História do Brasil
Museu Exploratório de Ciências
Caixa Postal 6025
UNIVERSIDADE ESTADUAL D E CAMPINAS (UNICAMP)
Cidade Universitária Zeferino Vaz
13083-970 - Campinas – SP
Brasil 

12/05/2012


Cigarro com sabor, não

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu (13/2) proibir a adição de adoçantes, flavorizantes e aromatizantes nas etapas de produção do cigarro e derivados do tabaco. De acordo com a Anvisa, o produto acrescido de sabores como cravo, menta e chocolate atrai crianças e adolescentes para o consumo de tabaco e ajuda a viciar, mascarando o gosto da nicotina e a irritação causada pela fumaça, informou o portal de notícias Terra (13/3). A decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria da Anvisa, em Brasília. A adição do açúcar no tabaco, também questionada pela agência, não foi proibida, mas fica restrita ao processamento do fumo.

Os prazos para adequação da indústria às novas regras, contados a partir da publicação da resolução, são de 18 meses para os cigarros e 24 meses para charutos e cigarrilhas, informou a Agência Brasil (13/3). Está proibida também a utilização, nas embalagens  desses produtos e nas de fumos para cachimbo de expressões que possam induzir a interpretação equivocada quanto aos teores das substâncias, tais como baixo teor, suave e light.
De acordo com a representante da Aliança de Controle do Tabagismo Paula Johns, o cravo e o mentol são os principais aditivos utilizados nos produtos derivados do tabaco para conquistar novos fumantes. “A maioria dos jovens, cerca de 60%, experimentam cigarros com sabor”, apontou Paula, em entrevista ao site da Anvisa (13/3).
Estudo da Escola Nacional de Saúde PúblicaSergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz com 17 mil estudantes em 13 capitais do Brasil, entre 2005 e 2009, aponta que 30,4% dos meninos e 36,5% das meninas informaram já ter experimentado cigarro e, desse grupo, 58,2% dos meninos e 52,9% das meninas preferem cigarro com sabor.
A determinação da agência vale para a venda de produtos importados no país e os voltados ao consumo e venda nacional, não atingindo aqueles cujo destino é o mercado externo. A Anvisa estima que 85% da produção nacional de cigarros e outros derivados do tabaco é exportada.                     
 

Doença é desconhecida da maioria dos brasileiros


O controle da hepatite C demanda não só uma rede de serviços ampla e qualificada, mas também informação. Pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Hepatologia em 2011 mostra, porém, que a doença é pouco conhecida pelos brasileiros, o que afeta a busca pelos serviços — do diagnóstico ao tratamento. Menos da metade (ou 49%) dos 1.137 entrevistados em 11 cidades declararam espontaneamente ter algum conhecimento sobre a hepatite C, “mesmo que de ouvir falar” — a hepatite B era a mais conhecida, com 57%; a A teve índice de 46%; a D, de 3%; e a E, de 1%.

E mais: apenas 1% desses entrevistados considerou a doença grave. Quando estimulados, com pergunta que fazia referência especificamente à hepatite C, 70% disseram saber algo sobre a doença — logo, 30% nem sequer ouviram falar de sua ocorrência. Outros dados da pesquisa indicam que, mesmo entre os que responderam conhecer a hepatite C, a desinformação é grande: poucos conseguiram indicar sintomas, diagnóstico e tratamento.

Do total, 42% souberam indicar alguma forma de contágio — transfusão de sangue (22%), relação sexual (21%), seringa não descartável (8%), drogas injetáveis com seringa compartilhada (7%), instrumento de manicure não esterilizado (8%) e instrumento de tatuagem ou piercing não esterilizado (3%). Quanto aos sintomas, 34% apontaram pelo menos um — 36% não apontaram nenhum. Mais da metade dos entrevistados pela pesquisa, 51%, sabiam que existe tratamento para a doença, mas poucos foram capazes de especificá-lo: 14% citaram, de forma genérica, tratamento por meio de medicamentos.
Alta prevalência e desinformação
A própria pesquisa identifica uma base concreta para a falta de conhecimento: 72% dos entrevistados disseram não ter visto notícias sobre hepatite C nos últimos seis meses e 85%, não ter visto campanha sobre a doença no mesmo período. “Nossa constatação é que as pessoas são bastante desinformadas em relação à hepatite C, embora esta seja uma doença com prevalência muito alta”, comenta a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Maria Lúcia Ferraz.
Entre as razões do desconhecimento, ela cita o fato de a doença ser de progressão lenta e assintomática e também de não haver por parte do governo grandes esforços no sentido de divulgá-la.
Em 2011, o Ministério da Saúde lançou campanha sobre as hepatites B e C, com cartazes, fôlderes, folhetos, vídeos, spot de rádio e banner. O mote era “Hepatite B e C são doenças silenciosas”. Os cartazes, um total de seis, voltavam-se a cada um dos grupos mais atingidos pela doença no Brasil. Às mulheres que pintam as unhas com manicure, por exemplo, a recomendação era “Só use materiais descartáveis ou esterilizados. Tenha seu próprio kit de manicure”. Os demais falavam aos profissionais de saúde, às pessoas que se tatuam ou põem piercing e a grávidas. Outro, mais geral, incentivava a busca pelos exames capazes de diagnosticar a doença.
Qualificação profissional
“Nossa estratégia de prevenção é fortemente baseada na abordagem de tatuadores e manicures, o que não fazemos com o HIV, que tem o contato sexual como principal via de transmissão”, explica o coordenador da área de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal. “A intenção das campanhas é informar sobre a hepatite C, alertar para os seus riscos e motivar as pessoas a buscarem o diagnóstico, sem causar temores excessivos e mostrando que pode ser tratada e curada”.
Se entre a população o conhecimento sobre a doença é frágil, entre os médicos também há desinformação. “A hepatite entrou no currículo de Medicina há no máximo oito anos, e a maioria dos médicos atuando hoje se formou há mais tempo”, diz o fundador do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C, Carlos Varaldo. Sem conhecer a doença, muitos não solicitam os exames necessários ou não conseguem indicar a um paciente o tratamento adequado, empurrando os infectados para os hospitais de referência das capitais.
O pesquisador do Icict/Fiocruz Francisco Inácio Bastos lembra que há um esforço do ministério para qualificar profissionais de saúde em hepatites: “Tem se tentado remediar a má formação do profissional com a chamada educação continuada, que é uma iniciativa importante, mas essa situação só se resolve começando pelo jovem que está faculdade”.
O número de hepatologistas, os especialistas com mais experiência em hepatites, ainda é insuficiente no Brasil, segundo Maria Lúcia Ferraz. Ela avalia que “existe de fato uma carência de especialistas em doenças do fígado, mas há um esforço de formar mais profissionais para suprir a demanda”.
Na opinião de Bastos, a hepatite C é “um patinho feio, do qual ninguém gosta de falar”. “Tudo que lida com estigma e negação só faz prejudicar, não permite mobilização, daí a importância do papel dos meios de comunicação e das redes sociais de disseminar informação que promova a saúde pública”.
Responsável pela comunicação do Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV), antes da sua incorporação pelo Departamento de Aids do Ministério da Saúde, o jornalista Liandro Lindner considera que a falta de sintomas é a característica que mais dificulta o combate das hepatites. “Um paciente pode levar anos com a doença sem que tenha qualquer manifestação; quando finalmente descobre, pode ser tarde demais”. Ele defendeu que a principal estratégia de comunicação para enfrentar a doença é o diagnóstico precoce. “Quanto mais pessoas forem testadas, principalmente aquelas que apresentam o perfil da maioria dos atingidos, mais teremos um quadro próximo da realidade”, afirma.
Liandro diz ainda que a diversidade das formas de hepatites virais, com características peculiares, exige estratégias de comunicação direcionadas para diferentes públicos. “O risco de construção de material preventivo tradicional, cheio de informações e poluído de imagens, pode não resultar no objetivo proposto”. Mesmo que algumas das vias de transmissão sejam parecidas ou que as estratégias básicas de prevenção tenham semelhança, o direcionamento é o melhor caminho, defendeu o jornalista.
Extraído da RADIS Comunicação e Saúde - Nº 116 - Abril de 2012

O ‘A B C D E’ das hepatites virais

Hepatite A
Também conhecida como hepatite infecciosa, é transmitida de pessoa para pessoa, por meio de água, alimentos e objetos contaminados pelo vírus ou por mãos mal lavadas e sujas de fezes. Quando surgem, os sintomas mais frequentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras, de 15 a 50 dias após a infecção. O diagnóstico é realizado por exame de sangue específico.
A hepatite A costuma ter evolução benigna, não deixando sequelas. Mais grave em adultos, pode causar insuficiência do fígado e ser fulminante — o que acontece em menos de 1% dos casos. A doença é totalmente curável quando se segue a recomendação médica.
A melhor forma de se evitar é melhorando as condições de higiene e de saneamento básico: lavar as mãos; lavar bem, com água tratada, os alimentos que são consumidos crus; cozinhar bem os alimentos, principalmente frutos do mar e carne de porco; lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras; não tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, poças; evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios.
O SUS disponibiliza vacina específica contra o vírus causador da hepatite A, mas esta só é recomendada em situações especiais, como para pessoas com outras doenças crônicas no fígado ou que fizeram transplante de medula óssea. Aqueles que já tiveram hepatite A apresentam imunidade para a doença, mas não estão livres de contrair as outras hepatites virais.
Hepatite B
O vírus B pode estar presente no sangue, no esperma e no leite materno, portanto, suas causas de transmissão são: transfusão de sangue contaminado; relações sexuais sem camisinha com pessoa infectada; de mãe infectada para o filho durante a gestação, parto ou amamentação; ao compartilhar material para uso de drogas, de higiene pessoal ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings. A maioria dos casos não apresenta sintomas, mas os sinais (os mesmos da hepatite A) podem aparecer de um a seis meses após a infecção.
A doença pode se desenvolver de formas aguda (quando a infecção tem curta duração) e crônica (quando dura mais de seis meses). Se necessário, o paciente é tratado com medicamentos. O risco de a doença tornar-se crônica depende da idade em que se dá a infecção. As crianças são as mais vulneráveis: nas com menos de um ano, o risco chega a 90%. Em adultos, o risco cai para 5% a 10%.
O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue específico. Toda mulher grávida precisa fazer o teste para evitar a transmissão de mãe para filho.
Há vacina contra a hepatite B disponível no SUS para pessoas com até 29 anos ou que pertençam a grupos de maior vulnerabilidade (grávidas, trabalhadores da saúde, bombeiros, policiais, manicures, populações indígenas, doadores de sangue, gays, lésbicas, travestis e transexuais, profissionais do sexo, usuários de drogas, pessoas com DST). A imunização só é efetiva após três doses. Usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal também são formas de prevenção.
Hepatite C
A transmissão da hepatite C ocorre principalmente pelo sangue. As outras formas de transmissão são semelhantes às da hepatite B; porém, a via sexual e a de mãe para filho são menos frequentes.
Não existe vacina contra a hepatite C, mas a doença pode ser evitada ao não se compartilhar seringa, agulha e objetos cortantes com outras pessoas e ao se usar camisinha em todas as relações sexuais.
Hepatite D
Só tem hepatite D quem foi infectado pelo vírus da hepatite B. A gravidade da doença depende do momento da infecção. No caso da infecção simultânea dos vírus D e B, manifesta-se da mesma forma que a hepatite aguda B — não há tratamento específico e a recomendação consiste em repouso e alimentação leve e proibição do consumo de bebidas alcoólicas por um ano.
Se o portador do vírus B é infectado posteriormente pelo vírus D, o fígado pode sofrer danos severos, como cirrose e formas fulminantes de hepatite. Esta é a principal causa de cirrose hepática em crianças e adultos jovens na região amazônica do Brasil.
Sua forma de transmissão é igual à das hepatites B e C. Como a hepatite D depende da presença do vírus B para se reproduzir, as formas de evitá-la são as mesmas do tipo B da doença.
Hepatite E
A doença é rara no Brasil, mas comum na Ásia e na África. Sua transmissão e suas formas de prevenção são iguais às da hepatite A. Na maioria dos casos, a doença não requer tratamento, sendo proibido o consumo de bebidas alcoólicas e recomendado repouso e dieta pobre em gorduras. A internação só é indicada em pacientes com quadro clínico mais grave, principalmente grávidas. 
Fonte: Ministério da Saúde.
Extraído da RADIS Comunicação e Saúde - Nº 116 - Abril de 2012

Infecção pode se tornar crônica

Hepatite é a inflamação do fígado, mais comumente causada por vírus, quando então recebe o nome de hepatite viral — mas que também pode ser provocada por uso de alguns remédios, álcool e outras drogas e por doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. São cinco os principais tipos de hepatite viral: A, B, C, D e E. No Brasil, as quatro primeiras são as mais frequentes.
As hepatites virais podem ser separadas em dois grupos, de acordo com sua forma de transmissão. No primeiro, encontram-se as hepatites A e E, transmitidas de modo fecal-oral — por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus. Esse mecanismo de infecção está relacionado às condições socioeconômicas, de saneamento básico e de higiene pessoal.
No segundo, o das hepatites B, C e D, a transmissão é sanguínea: por transfusão de sangue ou hemoderivados, hemodiálise e procedimentos cirúrgicos e odontológicos em que não se aplicam as normas de biossegurança; da mãe para o filho durante gravidez e parto; pelo contato sexual; e por compartilhamento de material contaminado para uso de drogas, higiene pessoal ou aplicação de tatuagens e piercings (leia mais no quadro da página12).
No caso da hepatite A, o fígado normalmente volta a ficar sadio; no da hepatite B, 90% dos infectados se curam de forma espontânea e há vacina que impede a infecção — o SUS oferece a imunização para pessoas com até 29 anos ou que pertençam ao grupo de maior vulnerabilidade (grávidas, trabalhadores da saúde, bombeiros, policiais, manicures, populações indígenas, doadores de sangue, gays, lésbicas, travestis e transexuais, profissionais do sexo, usuários de drogas, portadores de DST).
Quando uma pessoa se contamina com a hepatite C, o organismo produz anticorpos para tentar destruir os vírus. Mas, com frequência, esses anticorpos deixam de identificar o invasor responsável pela hepatite C e a infecção permanece no organismo, com chances elevadas de ficar crônica: de 70% a 80% dos casos evoluem para uma infecção persistente. “Mas não é tão preto no branco: as mulheres e as crianças vão se curar mais facilmente, e aqueles que apresentaram sintomas têm mais chance de cura espontânea”, ressalva Lia.
Entre os indivíduos com infecção crônica ativa, em torno de 20% progridem para um quadro grave de fibrose difusa (espalhada por diversas áreas do fígado) e cirrose. Uma pequena parte, de 1% a 2%, pode vir a desenvolver câncer de fígado.

Fonte: RADIS Comunicação e Saúde - Nº 116 - Abril de 2012

Quebrando o silêncio Rede de atenção à hepatite C, doença pouco divulgada, que não apresenta sintomas e tem mais impacto na saúde pública do que a aids, é desafio mundial


Bruno Dominguez

A hepatite C já causa mais mortes do que a aids nos Estados Unidos, segundo relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês, órgão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos) publicado no fim de fevereiro no Annals of Internal Medicine. A pesquisa americana concluiu que a taxa de mortalidade por hepatite C aumentou de 3 por 100 mil em 1999 para 5 por 100 mil em 2007, enquanto a por doenças relacionadas à aids caiu de 6 por 100 mil para 4 por 100 mil no mesmo período. Apesar de localizada espacialmente, a pesquisa aponta uma possível tendência em países que investiram para oferecer diagnóstico e tratamento públicos para portadores do HIV, o que aumentou o tempo de vida pós-infecção. A hepatite C, por outro lado, ainda não conta com assistência semelhante em grande parte do mundo, incluindo o Brasil. Entre outras razões, pesa o fato de se tratar de uma doença silenciosa e silenciada — que não apresenta sintomas e é muito pouco divulgada.
“É uma questão mundial, cuja rede de atenção está na fase de organização”, avalia o coordenador da área de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal. “Mesmo o Reino Unido, referência em sistema de saúde, conseguiu diagnosticar e tratar poucos até agora”.
A visibilidade e a mobilização em torno da doença são novidades: “É recente essa movimentação mais ampla dos organismos internacionais e dentro dos próprios países para enfrentar a hepatite C”, diz Hallal. Nesse meio tempo, a doença segue cercada por desconhecimento. O plano de enfrentamento do governo americano reconhece que grande parte dos seus profissionais de saúde não conhece a doença.
São cinco os principais tipos de hepatite viral: A, B, C, D e E. No Brasil, as quatro primeiras são as mais frequentes (ver matéria e quadro na pág.12).
 “As infecções por hepatite B e C são dez vezes mais numerosas que as por HIV, portanto, em termos de saúde pública, o impacto delas é muito maior”, compara a pesquisadora do Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Lia Lewis. “O problema da hepatite C é justamente o fato de ser silenciosa”, diz. Explica-se: a doença é assintomática e a maioria dos infectados não sabe de sua condição; logo, não procura assistência. E, em termos de mídia, pouco se fala sobre ela. “É raro um paciente chegar ao nosso ambulatório conhecendo a hepatite C”, conta Lia.
Problema de saúde pública
Entre 130 milhões e 170 milhões de pessoas, o equivalente a 3% da população mundial, estão infectadas com o vírus da hepatite C no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que trata a doença como um grave problema de saúde pública. A cada ano, são registrados de 3 milhões a 4 milhões de novos casos e 350 mil mortes. Alta prevalência é encontrada no Egito (22%), Paquistão (4,8%) e China (3,2%), especialmente em decorrência do uso de seringas contaminadas.
No Brasil, foram confirmados 69.952 casos entre 1999 e 2010, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2011, do Ministério da Saúde. Desse total, 98,3% são crônicos. A hepatite C foi a causa básica de 14.873 mortes no país de 2000 a 2010, superando os óbitos por hepatite B (4.978), A (608), D (264) e E (48). Quando levadas em conta as causas associadas, chega-se ao número de 27.231 mortes por hepatite C, 8.641 por B, 819 por A, 377 por D e 81 por E.
Entre 65% e 75% das infecções por hepatite C aconteceram durante procedimentos em hospitais, clínicas ou consultórios médicos e odontológicos, como transfusão de sangue ou de hemoderivados, transplante de órgãos, injeção com seringa e ferimentos causados por seringas contaminadas, informa Lia. “No passado, em algumas unidades de hemodiálise, chegou-se a identificar a doença em quase 100% dos pacientes”, conta.

No Brasil, foram
confirmados 69.952
casos de hepatite C,
entre 1999 e 2010,
de acordo com o
Ministério da Saúde
A maior parte dessas infecções se deu antes de 1993, quando tornou-se obrigatório o teste para detecção de anti-HCV (vírus da hepatite C) na triagem sorológica dos bancos de sangue brasileiros, informa o pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) Francisco Inácio Bastos, autor do livro O som do silêncio da hepatite C (Editora Fiocruz). Medidas como essa, de controle da qualidade dos bancos de sangue, foram introduzidas a partir de 1988, para evitar a expansão da epidemia de aids. “A maior parte dos infectados tem cerca de 50 anos: é um grupo que se contaminou antes que a aids mudasse o péssimo controle de banco de sangue no Brasil”.


O Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2011 confirma que a maior proporção de casos de hepatite C confirmados entre 1999 e 2010 encontra-se na faixa etária de 40 a 59 anos, somando 54,4% do total. As taxas de detecção mais elevadas estão na faixa etária de 50 a 59 anos, seguida do grupo de 40 a 49 anos de idade.

Novos casos, infectados depois de 1993, têm ligação com o compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings, todos passíveis de prevenção. “Qualquer sangramento tem chance de transmitir hepatite C se os equipamentos não tiverem sido esterilizados”, alerta Francisco. “E muitos dos centros de tatuagem e piercing não são certificados, operam de forma ilegal”. A transmissão por contato sexual é rara, mas possível.
Diagnóstico
Um dos principais desafios na atenção à hepatite C é o diagnóstico: a maioria das pessoas infectadas não sabe que tem o vírus. O surgimento de sintomas é raro, daí o fato de ser classificada como doença silenciosa. Quando aparecem, os sintomas são inespecíficos: cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
“Por ser uma doença assintomática e silenciosa, pode evoluir por 10, 20, 30 anos sem que o paciente apresente sintomas. Ele acaba não procurando atendimento médico e, quando tem ciência da doença, já está em estágio muito avançado, com cirrose hepática ou câncer de fígado”, resume a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Maria Lúcia Ferraz. “Quanto mais cedo se diagnostica, mais opções de tratamento e mais chance de cura”.
Teste rápido
Um hemograma completo não indica a presença de hepatite. É preciso passar por um exame anti-HCV e confirmá-lo por métodos mais precisos. O acesso a esses exames, no entanto, não é fácil no Brasil. “O teste rápido para HIV é muito comum, mas o das hepatites B e C é difícil de ser encontrado no SUS, mesmo se tratando de uma doença assintomática não detectável no hemograma”, aponta Carlos Varaldo, que fundou o Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C e escreveu dois livros sobre o tema depois de se curar da doença.
Francisco Inácio Bastos lembra que há muitos anúncios para testagem de aids, mas nunca uma mobilização compatível para a testagem da hepatite C: “Vai se formando a cultura do silêncio, um pacto de não se falar sobre a doença”.
A dificuldade do diagnóstico se reflete no acesso ao tratamento. Dos 600 mil infectados pelo HIV, 70% deles estão diagnosticados e 200 mil em tratamento. Dos 3 milhões de infectados pela hepatite C — “em um cálculo otimista”, segundo Carlos Varaldo — apenas 11,5 mil estão em tratamento. A proporção, na aids, é de 1 em cada 3 em tratamento; na hepatite C, de 1 a cada 290. “É uma disparidade muito grande”, critica.
Um passo para mudar esse quadro foi a decisão do Ministério da Saúde de oferecer testes rápidos para a detecção das hepatites B e C, a partir de agosto de 2011, inicialmente nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) das capitais, estruturas criadas para a aids, com previsão de chegarem a unidades básicas de saúde.
“O teste rápido não é bom somente por ser rápido: ele não exige equipamentos e pessoal especializado, é prático, de simples execução”, explica Lia. Esses testes servem para triagem; caso o resultado seja positivo, o paciente deve ser encaminhado para a rede de saúde para ter seu diagnóstico concluído.
O ministério também centralizou a compra dos exames complementares, de biologia molecular, como carga viral e genotipagem, e ampliou de 16 para 38 unidades a rede de laboratórios que os realizam. A centralização da compra possibilita a redução de custos, que variam de R$ 80 a R$ 298 por exame, e amplia a cobertura para um número maior de pessoas.
Hepatite e aids
A oferta do teste rápido para hepatite C nos Centros de Testagem e Aconselhamento é um resultado concreto da incorporação do Programa Nacional das Hepatites ao Departamento de DST/Aids, em outubro de 2009. “Existem recomendações internacionais para que os governos integrem as respostas programáticas de DST, aids e hepatites virais”, informa Ronaldo Hallal.
Todas são doenças de causa viral, que não apresentam sintomas durante alguns anos e cujo diagnóstico precoce tem impacto no acesso ao tratamento e na taxa de mortalidade. As comparações entre aids e hepatite C são comuns na bibliografia sobre a doença e nas palavras dos profissionais ouvidos pelaRadis. Todos citam a forte mobilização social em torno da aids como a principal razão de a doença contar hoje com uma rede elogiada internacionalmente.
“A resposta mundial à aids é única na história das epidemias: houve uma mobilização social, com o apoio de personalidades e formadores de opinião, que comprometeu os governos”, afirma Hallal.A hepatite C não contou — e ainda não conta — com mobilização similar. “Quando surgiu, a aids matava rapidamente e atingia pessoas mais dispostas a se expor para exigir tratamento adequado; a hepatite C não mata rapidamente, tinha num número muito pequeno de diagnosticados e até hoje é desconhecida, então não houve luta”, resume Carlos Varaldo.
A incorporação da estrutura gerencial das hepatites virais ao departamento de aids divide opiniões. Representante do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal avalia que a integração é natural: “Em geral, no mundo, a resposta à aids se estruturou com estratégias de prevenção, diagnóstico, implantação de serviços e assistência das pessoas que vivem com HIV, e as hepatites podem se beneficiar dessa rede”.
‘Debaixo do tapete’
Para o representante dos pacientes Carlos Varaldo, o Ministério da Saúde “esconde a doença debaixo do tapete”. A face mais visível para o público desse cenário, segundo Varaldo, é a quantidade de campanhas sobre aids divulgadas pelo ministério em comparação com as sobre hepatites — muito mais frequentes e numerosas.
O pesquisador Francisco Inácio Bastos observa que uma fusão demanda parceiros em situações parecidas para funcionar bem, o que de acordo com ele não é o caso. “Há um parceiro rico, o HIV, e o parceiro pobre, a hepatite, o que gera uma relação complicada”, diz, referindo-se ao volume de recursos — inclusive de financiamentos internacionais — destinados ao cuidado com o HIV. “A decisão seria boa caso a aids puxasse a hepatite para cima, mas falta recurso e pessoal para que isso se concretize”.
Hallal afirma que a pasta está buscando considerar as particularidades das hepatites para apresentar à sociedade uma resposta específica, aproveitando o acúmulo no combate ao HIV e a rede formada para atender os portadores da doença. O coordenador da área de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais reconhece que a rede de atenção à doença no Brasil é restrita, altamente concentrada nos hospitais universitários e nos centros de hepatologia. A integração com a rede de aids, diz, muda esse quadro.
“Praticamente nenhum estado brasileiro oferece tratamento no interior: o paciente precisa ir até a capital, o que, em alguns lugares, demanda dias de viagem”, critica Varaldo. A maior dificuldade, conta, é ter acesso à biópsia que aponta a extensão dos danos ao fígado: o tempo de espera pode chegar a um ano e meio no SUS, segundo ele. Bastos reforça que o SUS tem poucos centros com profissionais capacitados, fato que se agrava dada a dificuldade de manejo dos pacientes crônicos e a medicação dispendiosa associada a muitos efeitos adversos.
Tratamento
O tratamento atual é baseado na combinação de dois medicamentos, o Interferon peguilado e a Ribavirina, com duração de seis meses a um ano. Ambos são fornecidos pelo SUS. A chance de cura (quando o vírus passa a ser indetectável de forma sustentada) é de até 56%. “Não é um tratamento simples, pois provoca efeitos colaterais, mas é finito”, diz Maria Lúcia Ferraz.
Um dos principais
desafios é o
diagnóstico: a
maioria não sabe
que tem o vírus
Passadas algumas horas da aplicação de Interferon, os pacientes relatam sentir sintomas parecidos com os de uma gripe de extrema intensidade: febre e dor no corpo. Alguns chegam a suspender a medicação para evitar o desconforto, o que compromete todo o tratamento.


O ministério estuda a incorporação de dois medicamentos cujo uso foi aprovado recentemente por agências internacionais: Boceprevir e Telaprevir. Ambos aumentam as chances de cura para até 75% e são apresentados em comprimido — enquanto o Interferon é injetável. Como o lançamento é recente, a expectativa é de que sejam oferecidos pelo governo apenas em casos graves. “Estamos discutindo internamente, com bastante cuidado, a pertinência de incorporação, considerando os preços abusivos registrados no Brasil e o fato de não terem sido experimentados na população brasileira”, informa Hallal.

Francisco Inácio Bastos, que se diz um “otimista cauteloso”, prevê cuidado melhor com a doença em dez anos: passado um período de implementação de novas medidas de controle da hepatite C, o número de novos casos deve diminuir, refletindo as medidas de segurança dos bancos de sangue, e a rede de tratamento deve se expandir. “É um desafio qualificar o serviço, mas, se o SUS é baseado na integralidade, tem que cumprir seu papel”, considera.
Fonte: RADIS Comunicação e Saúde - Nº 116 - Abril de 2012